quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pratos da terra e clima de sítio são os atrativos do Bar da Guarita

Por Lucas Lima
Imagens: Cacimba de Letras

A criança deve ter uns dois anos, gordinha e com cara de sapeca. A vejo correndo atrás de duas galinhas gordas e cobertas de penas até as patas. As aves se desvencilham do garoto, que logo vê dois cachorros para poder aperrear. Ele está descalço no chão de terra, e sob a sombrinha de vários pés de árvores, como o de uma pitombeira.

Com a descrição acima, pode-se pensar que falo de um sítio, e de uma criança aproveitando o domingo com a família. A segunda parte é fato, mas o lugar, na verdade, é o Bar da Guarita, escondido entre as estradas de barro de Ouro Preto, em Olinda. Aberto há cinco anos por Seu Arlindo, 58, o local tem como atrativos a mão de vaca, preparado apenas por Dona Maria, 55, sogra do proprietário, a buchada de bode e os caldinhos. Rummenigge Manoel, 23, filho de Arlindo, diz que há clientes que passam por lá só para se deliciar com os caldinhos de feijão, camarão ou bacalhau.

Chegar ao bar, para os que não conhecem Olinda, pode ser um sacrifício. Mas esse é válido, tanto pelo ambiente quanto pelos pratos, que custam entre R$ 8 e R$ 15, e servem muito bem três pessoas ou mais. A buchada mesmo [foto 1] vem com um espesso pirão, arroz e farofa de cuzcuz, e a galinha caipira [foto 2], guisada, com feijão bem molinho, arroz, macarrão e maionese. Ao fazer o pedido, não se espante se o garçom disser que é muita comida para sua mesa. Basta negociar que ele trará porções menores, não o deixando sem saborear os pratos do local.

O Bar da Guarita, resumidamente, é um negócio família, que reúne, além de Seu Arlindo, Dona Maria e Rummenigge, a mulher e a filha do anfitrião, que comandam a cozinha. Os clientes também já podem ser ditos como parte da família, inclusive os que chegam por lá antes do bar abrir, para reforçar as energias e começar bem mais um dia de trabalho.

AMBIENTE - As mesas no Bar da Guarita são todas dispostas embaixo das árvores do local, o que pode ser um grande problema nos dias de chuva. Para sanar, duas cobertas já foram levantadas, e uma outra está sendo planejada, tudo para que ninguém saia do bar insatisfeito. Vale lembrar, também, que aos domingos a música é ao vivo, e, como sobremesa, o cliente pode se saborear com pitombas, tirando-as do pé no exato momento de degustá-las. Só faltam alguns colchões mesmo para a gente se sentir nos sítios dos avós.

Serviço
Rua Lígia Gomes, 500, Ouro Preto – Olinda
Fone: (81) 3494.2184

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