sexta-feira, 20 de junho de 2008

Imigração japonesa para a mesa do Brasil

Por Lucas Lima
Imagens: Cacimba de Letras

Sempre penso em japonês como uma figura discreta, calada. Não sei de onde veio esse estereótipo, mas ele foi quebrado em partes ao conhecer o chef Masayoshi Matsumoto [62], ou simplesmente seu Yoshi [foto], responsável pelos quitutes japoneses servidos no Sushi Yoshi, em Boa Viagem. Figura expansiva, cumprimenta todos que chegam ao restaurante, conhecendo ou não o cliente. “Sou um japonês abusado”, taxa ele.

Seu Yoshi chegou ao Brasil em 1959, depois de uma viagem de 40 dias. Passou por Cambará, no Paraná, onde trabalhou em cafezal, depois foi para Santos (SP), exercendo o cargo de carregador de verdura na Ceasa. Veio se estabelecer no Recife apenas em 1964. Por aqui, vendeu pastel na Sete de Setembro, abriu dois restaurantes, o Bandejão, só de comida brasileira, e depois o Le Buffet, unindo as culinárias de seus dois países.

Há 11 anos foi fundado o Sushi Yoshi. Todos os pratos servidos por lá passam antes pelas mãos de seu Yoshi. Ele prepara os alimentos e um ajudante termina de montar o prato. Por isso, não é incomum vê-lo correndo para falar com alguém de sua agência de comunicação visual, com um fornecedor, com um cliente e, entre tudo isso, ir à cozinha para que os pedidos sejam despachados.

Com um cardápio extenso, o Sushi Yoshi só atende a la carte. O motivo de não funcionar no formato de rodízio? “O preço cobrado no mercado não vale a pena. Acaba caindo a qualidade da comida”, afirma. Sobre qual o seu melhor prato, ele diz ser aquele que o cliente gosta!

Por lá, a terça-feira é o dia do combinado de sushi, quando o cliente escolhe dez peças de sua preferência, por R$ 14,90. Na quarta, a pedida é o temaki, com mais de 30 opções. Sunomono [entre R$ 4,40 e R$ 11,90], sashimi [30 fatias por R$ 49,90], sushi [quatro unidades a partir de R$ 8,70], além de pratos quentes como yakissoba e tempurá, figuram no cardápio da casa. Para os que forem pedir sushi, atenção: seu Yoshi usa wasabi [raiz forte] para unir o arroz e o peixe, como originalmente deve ser. “Só tiro se o cliente pedir”, avisa.

Serviço
Rua Padre Luiz Marques Teixeira, 155, Boa Viagem – Recife
Fone: (81) 3462.2748 e 3342.3705

Um comentário:

Samuel Camêlo disse...

Cara Lucas Lima,

Bastante oportuna esta reportagem!
Pelo tempo que reside no Brasil o chef Masayoshi Matsumoto tornou-se um japonês com o "tempero" brasileiro. A história do sr. Matsumoto, inclusive, é a típica história de um nordestino que ascendeu na vida - após duro labor - como carregador de verdura na Ceasa, vendedor de pastel na Sete de Setembro etc.
Admiro muito a qualidade com a qual os japoneses trabalham.
Parabéns pela bela reportagem!

Abraços,

Samuel Camêlo
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